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21 jul 2011

WORKSHOP EDUCAÇÃO DIGITAL – Estado da arte, tendências e estratégias

Postado em Design, Ensino a Distância, Notícias, Tecnologia

Evento com objetivo de apresentar aos empresários desenvolvedores de tecnologia de Santa Catarina e demais interessados, experiências inovadoras na área da educação tecnológica e promover uma sintonia das ações de pesquisa e desenvolvimento com o mercado catarinense, brasileiro e internacional.

Data: Segunda-feira, 25 de Julho

Local: Auditório da Acate, Rua Lauro Linhares, 589, Florianópolis – SC – 88036-002

Público Alvo: Empresários, colaboradores, pesquisadores que trabalham com tecnologia aplicada ao segmento educacional.

Inscrições e mais informações: http://www.verticaleducacao.tangu.com.br


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17 mai 2011

Empresas catarinenses participam da Feira Educar

Postado em Ensino a Distância, Tecnologia

Empresas catarinenses de tecnologia que atuam no desenvolvimento e na comercialização de soluções para o segmento educacional participam nesta semana da 12ª Feira Educar, entre os dias 18 e 21, em São Paulo. A feira é uma das maiores do País e busca debater os rumos da educação no Brasil.

A comitiva catarinense é composta por 16 empresas que apresentarão produtos e serviços em áreas como: ambiente virtual de aprendizagem; aplicações de criação de conteúdo para educação a distância; sistema de avaliação; sistema de gestão acadêmica; cursos a distância para diversos segmentos; lousa eletrônica; consultoria para implantação de EaD; criação de conteúdos sob encomenda; tutoria, implantação de gestão do conhecimento, entre outras soluções.

A Associação para Promoção de Excelência do Software Brasileiro (Softex) subsidiou a participação das empresas em um estande conjunto. A feira é uma oportunidade para que as empresas de tecnologia prospectem parcerias e negócios. Por isso, haverá uma rodada de negócios com convidados de outros países, entre eles Malásia, República Dominicana, Argentina, Angola e Chile para apresentar os produtos e soluções das empresas catarinenses.

Algumas das empresas que vão participar da feira: Bookess, Ciaporte, Edusoft, Gennera, Horizonte Tecnologia, IEPEC, Ilog, Mobiliza, Obiz, Progic, Qisat, Sandox e TalkandWrite. Elas fazem parte da Vertical Educação, um grupo de empresas do segmento tecnológico que desenvolve soluções produtos, serviços, softwares e hardware para o setor. A iniciativa partiu da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), que estimula a união entre empresas que atuam em mercados semelhantes e complementares, incentivando o associativismo e o relacionamento entre elas.

Feira Educar

É voltada para os profissionais de educação: professores, pedagogos, diretores e demais pessoas que atuam com a educação no Brasil. A feira apresenta as novidades ligadas à educação, tais como softwares, brinquedos, móveis, revistas, lousas interativas, sistemas de ensino etc. Simultâneo a feira, o Educador (Congresso Internacional de Educação) vai reunir convidados importantes para discutir o tema “Do Aprender Passivo ao Saber que Transforma: a Educação na Era da Informação”. Gabriel Chalita, Madalena Freire, Luís Nassif, Augusto Cury, Celso Antunes, Emília Cipriano Sanches, Paulo Renato Souza e Ziraldo representam o Brasil. Destacam-se ainda: José Pacheco, João Barroso e Maria do Céu Roldão (Portugal), Olga Franco Garcia (Cuba), Esteban Levin (Argentina), Juan Delval e Marian Baques (Espanha) e Frank Cody e Greg Butler (Estados Unidos).

Serviço:

O quê: 12ª  Feira Educar (Empresas catarinenses de tecnologia participam da Feira Educar)
Quando: de 18 a 21 de maio. A feira é das 10h às 20h e o congresso das 9h30 às 19h30
Onde: Expo Center Norte, Pavilhão Branco (São Paulo/SP)
Quanto: R$ 5
Informações: www.educador.com.br

fonte:www.acate.com.br


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04 mai 2011

Educação Brasileira de Qualidade: Procura-se um Futuro

Postado em Ensino a Distância

Contribuição da Associação Brasileira de Educação a Distância em continuidade à Carta aos Candidatos à Presidência, a ser apresentada à Equipe de Transição da Presidência da República Federativa do Brasil

UMA IDÉIA

Este documento é uma contribuição adicional da ABED à carta aos candidatos à Presidência para renovar a esperança daqueles que se preocupam com a construção de uma visão de futuro para o Brasil. Seu nascedouro ocorreu no âmbito da interação construtiva entre professores e alunos universitários.

A confiança e a esperança do povo brasileiro em um futuro melhor associam-se, de forma estreita, a investimentos nos sistemas garantidores da estabilidade econômica e desenvolvimento com eqüidade e justiça social. Sabemos, todos, que a melhoria da qualidade de vida está diretamente relacionada à construção de uma sociedade com menos pobreza, mais igualdade de oportunidades e, sobretudo, mais educação e democratização do conhecimento. Do ponto de vista epistemológico o conhecimento é uma conquista e patrimônio individual, mas ao mesmo tempo, constitui um bem comum. A superação do paradoxo da individualidade versus coletividade do conhecimento é um dos principais desafios para a criação de padrões inteligentes que sustentem a prática e o sucesso das inovações.

· IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA MAIOR

Dentre os problemas estruturais que o Brasil enfrenta a crônica situação da qualidade da educação sobressai pela importância estratégica. Ao longo da história o País não levou a sério a educação de seu povo nem a escola das crianças, e enfrenta o Século XXI despreparado para a Era do Conhecimento, porque não realizou, até hoje, uma verdadeira Revolução na Educação.

O problema é secular, mas vem se agravando nos últimos 50 anos. Enquanto Espanha, Irlanda, Finlândia e Coreia do Sul assumiram seriamente a responsabilidade de se transformarem em Sociedades Instruídas obtendo pleno sucesso em 40 anos, o sistema educacional brasileiro acumulou problemas crescentes em todos os níveis e a educação básica esbarra na péssima qualidade comprovada em exames nacionais e internacionais.

O lançamento, em 2007, do PDE – Plano de Desenvolvimento de Educação é uma iniciativa meritória onde o Ministério da Educação tenta estabelecer um conjunto de ações para recuperar o tempo perdido e as seguidas oportunidades não aproveitadas. Todavia, sua formulação evidencia equívocos, despreparo e o descuido de diferentes governos com o planejamento da educação.

Um diagnóstico demonstra enorme passivo educacional em todos os níveis. O problema da Educação Infantil não foi resolvido, a qualidade no nível fundamental ainda não foi alcançada, o ensino médio não foi universalizado e não há matrícula suficiente na educação superior, especialmente pública, para incorporar um contingente significativo de jovens ao mundo da produção, geração de riqueza e do desenvolvimento. A recente proliferação de cursos superiores, sobretudo em faculdades privadas em áreas não tecnológicas, pouco elevou a qualidade e adequação da qualificação profissional.

Nesse quadro se salva a “ilha de competência” da pós-graduação o que também comprova a inversão das prioridades educacionais brasileiras.

Nesta proposta sugere-se prioridade explícita para a Educação Básica de Qualidade. Para alcançá-la é necessária uma visão integrada que inclua desde a Educação infantil até a Pós-Graduação, além da educação profissional, da não formal e educação continuada.

· CONTEXTUALIZAÇÃO E ANÁLISE

Educação é um investimento de futuro com resultados obtidos em longo prazo. Trata-se do único instrumento que, de fato, pode fazer frente de forma definitiva à pobreza, gerando desenvolvimento econômico e melhorando a qualidade de vida. Sabemos que a educação é um serviço que exige investimento contínuo e em larga escala em infra-estrutura material e pessoal qualificado, ai incluído professores, gestores e apoio administrativo. Reconhecemos o esforço do governo federal pela universalização. Entretanto, deve-se observar que este processo baseado na gratuidade e obrigatoriedade não é suficiente para produzir a qualidade para o País alcançar
– como merece e necessita – uma participação mundial diferenciada, expressiva e soberana. Também, não basta apenas avaliar periodicamente o rendimento escolar na educação básica e superior sem efetivar ações corretivas que promovam a melhoria contínua.

Consideramos importante o conceito de qualidade na educação abrigar a idéia de que o “aprender a aprender” é resultado de um conjunto complexo de pré-condições, incluindo o domínio cognitivo pelo professor em compreender como o aluno aprende, retém e emprega o que aprendeu. O processo de aprendizagem constitui vasto campo de estudo na formação inicial e prática do professor e gestor educacional, podendo, ser complementadas durante formação profissional continuada.

As políticas públicas têm se voltado para valorização do professor aumentando salários e premiando o desempenho. Mesmo importantes tais ações ainda não conseguiram gerar bons resultados de aprendizagem nem organizar adequadamente carreiras baseadas no mérito. Investimentos em melhoria da infra-estrutura física e material das escolas são, sem dúvida, indispensáveis para o bom trabalho do professor, todavia, não são suficientes nem podem ser isoladas, pois necessitam correlação com ações de natureza gerencial.

Faz-se necessário pensar na quantidade de alunos que o professor poderá atender na educação básica. O grande número de alunos por sala de aula aliado à curta permanência na escola prejudicam a boa aprendizagem e inviabiliza o trabalho aprofundado de avaliação e acompanhamento. Nesse processo de “faz-de-conta” o professor não conhece seus alunos nem os guia de forma dirigida e individualizada conforme os modernos paradigmas da aprendizagem.

Os professores devem estar preparados para enfrentar a diversidade própria do processo educacional – as atuais faculdades de formação de professores não cumprem adequadamente sua função precípua –, e os estudantes necessitam vivenciar um ambiente com condições básicas favoráveis à aprendizagem.

A aprovação em 2006 do Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) foi um passo importante para a melhoria da educação básica formal. No entanto, a eficácia na aplicação de seus recursos financeiros deve melhorar para o alcance dos objetivos almejados.

Eliminar a defasagem educacional é um papel estratégico que a Educação a Distância pode muito bem exercer. Uma boa iniciativa do governo, por meio do MEC, foi a criação, em 2005, da Universidade Aberta do Brasil – UAB – até porque éramos o único país com população acima de 100 milhões de habitantes a não dispor deste tipo de instituição.

Embora o modelo até aqui adotado opte por um programa “fechado” e tradicional com oferta de cursos em áreas em sua maioria saturadas, tem-se a esperança de que evolua rapidamente para uma Universidade Aberta, de fato, e não apenas para a formação (indispensável) de professores. Esse anacronismo coloca em risco o principal objetivo da UAB como instrumento de redução das enormes disparidades sociais e inter-regionais. Devem-se aumentar as chances de ingresso, justamente, daqueles com mais dificuldade de acesso à educação formal em universidades convencionais, bem como, disponibilizar oportunidades de educação não formal.

A situação atual é preocupante, principalmente, para a maioria dos jovens pobres em situação de risco vivendo em cidades com pouca ou nenhuma infra-estrutura de equipamentos de esporte, cultura e lazer. Grande parte abandonou a escola ou a freqüenta (sem garantia que estejam, de fato, aprendendo) com significativa defasagem série/idade, e, apesar de buscarem, não conseguem emprego. Isso se deve, em grande medida, a pouca atratividade escolar, insuficiência na oferta de cursos profissionalizantes e orientação profissional e baixa efetividade das políticas públicas voltadas especificamente para esse segmento.

De maneira geral os governos estaduais e municipais ainda não priorizaram políticas públicas específicas para a solução dos problemas enfrentados pelos jovens. Há algumas ações pontuais na área social ou de segurança, mas, sem maior alcance e visão de médio e longo prazo. Neste ponto merece atenção especial a formação de jovens qualificados em um sistema de educação profissional continuada diretamente voltado à demanda do mercado.

Na realidade os jovens, em especial de baixa renda, são lançados à própria sorte vítimas e atores da violência urbana apontada nos indicadores sociais. São, também, vulneráveis à gravidez precoce indesejável e baixa autoestima sem contar com interlocutores que os auxiliem a buscar alternativas. Na origem do problema estão as famílias desestruturadas e a ausência da escola de qualidade para atrair e reter esse jovem no espaço de formação além do exíguo horário de aula.

O Brasil ainda não compreendeu a importância da sua infância e juventude na formação da cidadania, e, como conseqüência, as expõe à própria sorte: o problema é estrutural e começa pelo descaso com as crianças. O trabalho infantil, embora não seja fenômeno novo visto que desde o início da colonização crianças negras e indígenas eram incorporadas ao trabalho, é um dos principais desafios sociais e seu combate tarefa complexa. O cenário melhorou com o desenvolvimento econômico e intensificação, a partir do fim da década de oitenta, de medidas jurídicas, políticas e sociais visando à proteção contra o trabalho infantil.

Nesse contexto alguns pontos para reflexão: a) necessidade de atualização de dados e mapeamento das regiões e localidades com maior índice de trabalho infantil; b) fortalecimento das instituições sociais que desenvolvem ações direcionadas à formação educacional de crianças carentes; c) intensificação da avaliação e controle dos programas sociais direcionados às famílias de baixa renda nos municípios brasileiros, como a Bolsa Família, a Bolsa Criança Cidadã e o Programa Saúde da Família.

· PROPOSTAS DE SOLUÇÃO

Políticas públicas para setores vitais da sociedade brasileira carecem de planejamento e gestão eficazes, prevalecendo a improvisação entre diversos setores e esferas do poder governamental. A área social apresenta carência generalizada: educação, saúde, segurança, habitação, saneamento e trabalho. Essa situação se reflete na precária infra-estrutura – estradas, ferrovias, portos e aeroportos, escolas e hospitais. O PAC e o PDE são boas medidas, mas ainda representam tentativas insuficientes em busca de acertos.

Na educação o diagnóstico é bem conhecido e dispensa-se replicá-lo à exaustão. Somente uma minoria privilegiada de 12% da população entre 18 e 25 anos chega ao nível Superior. Não podemos nos render ao fatalismo nem deixar o paroxismo engessar nossas ações.

O Brasil tem soluções para os problemas estruturais e apostamos na mudança e conscientização coletiva de que não é possível persistir o impasse atual. Dispomos de recursos humanos, financeiros, tecnológicos e farta criatividade, no entanto, urge estabelecer claramente prioridades e executá-las de forma eficiente e continuada. Basta começar, seriamente, pelo mais grave: educação de qualidade em regime de tempo integral. Nesse aspecto a Educação a Distância constitui manancial de soluções ainda não utilizado em sua potencialidade.

Queremos que nosso clamor ganhe voz e vez perante os futuros dirigentes, em especial da Presidência da República que tem gerido com eficiência a área econômica e financeira. Queremos que tal desempenho e prioridade cheguem à área social e educacional replicando-se as práticas inerentes ao modelo econômico com as devidas peculiaridades e adaptações. Soluções existem sem abandonarmos o êxito da economia: basta reverter a prioridade que transformará o País rentista em um Brasil instruído.

Nossa história reconhece poucos dirigentes associados a grandes realizações: Getúlio Vargas implantou as bases e deu início ao bem sucedido processo da industrialização; Juscelino Kubitschek ampliou estes caminhos e construiu Brasília. O Presidente Lula cravou seu nome ao diminuir desigualdades e retirar 30 milhões da pobreza. Agora, o espaço do País se firmar pela Revolução da Educação Básica de Qualidade continua aberto.

Queremos participar da solução dos problemas mencionados. Para isso, propomos instrumentos de diálogo entre o governo e a sociedade sem desconsiderar os espaços políticos existentes constitucionalmente estabelecidos. Eis aqui uma alternativa a mais, sem partidarismo, refrega ideológica ou interesses econômicos comprometedores. Queremos somar ações para multiplicar resultados e dividir responsabilidades para diminuir o sacrifício do povo brasileiro.

Precisamos mobilizar a juventude que deseja participar da real solução dos problemas como maneira de fortalecer a democracia brasileira de apenas 25 anos – idade média da maioria dos atuais universitários nascidos no limiar da Nova República. Não é mais possível adiarmos indefinidamente a derrota do crônico problema da qualidade na educação, solução definitiva para o País se agregar às Sociedades da Aprendizagem, da Informação, do Conhecimento e da Inovação. A educação de hoje e do amanhã, é, e será o futuro das nossas crianças e a certeza de um Brasil mais solidário, competente solidamente desenvolvido.

A complexidade das questões aqui abordadas exige a gestão integrada das políticas públicas. Historicamente, a prevalência da vertente econômica tende a conflitar com outras áreas de governo, enquanto a atual estrutura fortemente setorializada dos Ministérios dispersa e sobrepõe ações que obteriam melhor resultado se operacionalizadas de forma integrada. Todavia, é possível construir uma visão holística comum de nação na qual a interação sistêmica gere bons resultados retratando a conectividade e compromisso entre diversos atores e setores.

Aí está, em nossa visão, o papel estratégico das Sociedades Científicas como a ABED, colaborando com as ações do governo na construção e articulação de pactos que ultrapassem o limite mínimo de mandatos quadrienais. Políticas públicas efetivas exigem continuidade e prazo, do contrário o País perde a capacidade de reinventar-se e construir o futuro. Essa fórmula caracterizada pela continuidade e conseqüência a políticas de Estado foi responsável pelo sucesso alcançado na educação nos países citados.

Para nós, o futuro não é apenas uma categoria a ser estudada em profundidade; representa, acima de tudo, construir e alimentar a esperança.

A ABED propõe a utilização da EAD para cada nível e ciclo de aprendizagem colaborando efetivamente para a clamada Revolução da Educação de Qualidade.

A implementação desta Revolução exigirá um pacto democrático, com construção de mecanismos que, sem ferir a autonomia e a colaboração essenciais do Sistema Federal, dos Sistemas Estaduais e do Distrito Federal e dos Sistemas Municipais previstas na Constituição Federal e ratificadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, permitam as providências, de indispensável caráter emergencial, a serem tomadas em tempo pré-determinado, sob a coordenação de um órgão que reúna paritariamente o Poder Público, a iniciativa privada e a sociedade civil organizada.

Fonte: ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância


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04 abr 2011

Educação sem distância

Postado em Ensino a Distância, Sem categoria

Construtivismo é uma daquelas palavras que as pessoas adoram repetir: “nossa metodologia de ensino compartilha valores construtivistas!”. Da mesma forma encontramos, “nossa empresa se preocupa com a sustentabilidade”, ou ainda, “enquanto professores, precisamos estimular a autonomia dos estudantes”. São conceitos culturalmente nobres, estimulados pela mídia, não obstante, pouco trabalhados na formação inicial dos nossos futuros educadores. A leitura dos clássicos, como Piaget e Freire, é importante, mas trabalhar com esses conceitos em projetos incorporando-os na edificação de sua própria prática pedagógica, é fundamental para o educador.

A Educação a distância, por exemplo, está passando por uma virada conceitual, caminhamos na direção de eliminar a distância, nosso desejo é que a educação triunfe, se sobreponha ao meio de vinculação. No último seminário GUIDE, realizado pela UNISUL, em Florianópolis, vimos e ouvimos os porta-vozes da Open University (UK) mensurarem quantos de seus alunos se reconhecem sob o título de “aluno social”. A EaD nasceu da necessidade de levar informação, conteúdo, a qualquer lugar. Hoje, porém, o conteúdo já está em qualquer lugar. É possível verificar em tempo real se a explicação dada pelo professor de álgebra é compatível com a explicação de outras milhares de pessoas, o que a comunidade científica pensa sobre aquele ponto de vista, quais são suas contradições e novas abordagens. É um milagre.

Estamos desvinculando a imagem da EaD (do que vamos chama-la agora?) da perspectiva empirista e racionalista, receber estímulos (conteúdos) e reproduzir ou mensurar a sua retenção já não é mais suficiente, para ninguém. Mercado, sociedade, estudantes, professores, a EaD tem um poder de evidenciar as falhas das estruturas e das teorias mais eficientes. Mesmo temerosa em mais uma vez valer-se do termo, as práticas pedagógicas inspiradas no legado construtivista mudaram, mais uma vez, o processo de ensino e aprendizagem tradicional e passivo até então em inércia na EaD.

Ambientes virtuais de aprendizagem estão sendo substituídos por agregadores de conteúdo pessoal e comunidades virtuais. A percepção de que é preciso colaborar, contribuir, para fazer parte de uma comunidade de ensino já foi superada, das menores às maiores instituições, isso já se tornou uma prática. Um novo olhar está sendo lançado a iniciativas colaborativas, como as licenças “Open source” e “Creative comuns”. Antes, tínhamos o pré-conceito de que tudo que era criado e construído colaborativamente sofria com a qualidade, não era confiável. Aprender com o outro, juntos, para os alunos sociais da Open University, no entanto, é a melhor maneira de aprender.

No Brasil, temos tentativas de repositórios de conteúdo e ao mesmo tempo o incentivo federal às comunidades de ensino, o Portal do Professor e o Portal do Aluno formam um marco na trajetória desse pensamento. Se o MEC entendeu que é preciso incentivar tal postura, é porque já não havia mais como ignora-la.

Dos setores mais tradicionais às nossas universidades vanguardistas, a comunidade escolar segue, ao seu ritmo, para o próximo passo, um ciclo acima do espiral, e catapulta, mais uma vez, o desejo de que a história da educação não precise ser cíclica, previsível, a noção de futuro (até que enfim) chegou até nós.

- Daiana Acordi: daiacordi@gmail.com


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15 fev 2011

Ensino à distância ganha credibilidade

Postado em Ensino a Distância, Sem categoria, Tecnologia

São Paulo – Quando Daniel Filippon resolveu voltar à faculdade 10 anos depois, em 2009, deparou-se com mensalidades altas e horários fixos demais para a sua vida atual. “A rotina me mata e voltar para a universidade me custaria a parcela de um apartamento por mês”, recorda. A solução foi fazer o curso escolhido, Gestão da Tecnologia da Informação, à distância, na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). “Agora pago metade do preço de um curso tradicional”, afirma o aluno, que monta os seus próprios horários de estudo.

Esse é o principal objetivo da educação à distância: a flexibilidade. “Aquele que procura essa modalidade não tem disponibilidade de se deslocar para um determinado lugar e estar presente em 75% das aulas”, explica o especialista em Tecnologia Educacional Wendel Freire sobre um modelo de ensino que cresce 40% ao ano. “Escolha e adequação não são decididas por um educador ou por um sistema qualquer, mas pelo indivíduo e pelas suas demandas”, completa.

Freire alerta para a escolha do curso. O aluno interessado no ensino a distância deve descobrir o máximo possível sobre a estruturação do curso, desde o modelo de tutoria e da formação dos professores até o tempo de resposta às solicitações do aluno, além das ferramentas de comunicação e de seus usos. Além disso, sempre é válido buscar informações fora da instituição, como fez Filippon. “Levei em conta a indicação de alguns colegas e o fato de que a Unisul é referência nacional EaD”, afirma.

Outra questão importante na hora da escolha é o formato. Ao ter uma plataforma digital, os cursos de EaD possuem um potencial de comunicação multidirecional, ou seja, a interatividade entre professor e aluno e entre os próprios colegas é infinita. Porém, muitos deles estruturam-se como um modelo unidirecional, em que o aluno apenas recebe conteúdo. “Isso os torna tecnicistas e devem ser evitados, pois não exploram o que há de mais positivo da presença das novas tecnologias: a liberação do polo de emissão”, lamenta Freire.

Apesar das possibilidades interativas que a tecnologia trouxe para o universo dos estudos, a convivência entre os alunos ainda faz falta para quem estuda nesse novo formato de aulas. “É quase zero, eu gostava muito de conviver com os colegas na época em que estava na faculdade normal”, lembra Filippon. Porém, Freire acredita que há, sim, convívio entre os estudantes, já que essa estrutura de ensino inclui encontros presenciais, fóruns e chats. “Veremos em um futuro breve uma aproximação das plataformas de ensino à distância com os formatos comunicacionais das chamadas redes sociais”, diz. Para o educador, assim as relações entre os colegas ficará mais estreitas, o que vai possibilitar a diminuição do que, nao sua opinião, é o maior problema da educação à distância, que é o alto índice de evasão.

Outro problema já em parte superado no Brasil reside no preconceito com esse modelo pouco tradicional de ensinar. “A palavra ‘distância’ acaba carimbando nessa modalidade a ideia de que não há proximidade, o que não é verdade, pois muitas vezes acontecem mais interações nesses espaços do que no ensino presencial”, conta Freire. Para Filippon, há quem olhe com cara feia para os EaDs, porém o mercado de Tecnologia da Informação – acostumado com o mundo digital – dá menos valor para o formato da graduação e mais para o reconhecimento do profissional. “O canudo agora é só para definir contratação, não se analisa onde a pessoa estudou”, opina.

Fonte: O DIA <online>


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