04 abr 2011
Educação sem distância
Postado em Ensino a Distância, Sem categoria
Construtivismo é uma daquelas palavras que as pessoas adoram repetir: “nossa metodologia de ensino compartilha valores construtivistas!”. Da mesma forma encontramos, “nossa empresa se preocupa com a sustentabilidade”, ou ainda, “enquanto professores, precisamos estimular a autonomia dos estudantes”. São conceitos culturalmente nobres, estimulados pela mídia, não obstante, pouco trabalhados na formação inicial dos nossos futuros educadores. A leitura dos clássicos, como Piaget e Freire, é importante, mas trabalhar com esses conceitos em projetos incorporando-os na edificação de sua própria prática pedagógica, é fundamental para o educador.
A Educação a distância, por exemplo, está passando por uma virada conceitual, caminhamos na direção de eliminar a distância, nosso desejo é que a educação triunfe, se sobreponha ao meio de vinculação. No último seminário GUIDE, realizado pela UNISUL, em Florianópolis, vimos e ouvimos os porta-vozes da Open University (UK) mensurarem quantos de seus alunos se reconhecem sob o título de “aluno social”. A EaD nasceu da necessidade de levar informação, conteúdo, a qualquer lugar. Hoje, porém, o conteúdo já está em qualquer lugar. É possível verificar em tempo real se a explicação dada pelo professor de álgebra é compatível com a explicação de outras milhares de pessoas, o que a comunidade científica pensa sobre aquele ponto de vista, quais são suas contradições e novas abordagens. É um milagre.
Estamos desvinculando a imagem da EaD (do que vamos chama-la agora?) da perspectiva empirista e racionalista, receber estímulos (conteúdos) e reproduzir ou mensurar a sua retenção já não é mais suficiente, para ninguém. Mercado, sociedade, estudantes, professores, a EaD tem um poder de evidenciar as falhas das estruturas e das teorias mais eficientes. Mesmo temerosa em mais uma vez valer-se do termo, as práticas pedagógicas inspiradas no legado construtivista mudaram, mais uma vez, o processo de ensino e aprendizagem tradicional e passivo até então em inércia na EaD.
Ambientes virtuais de aprendizagem estão sendo substituídos por agregadores de conteúdo pessoal e comunidades virtuais. A percepção de que é preciso colaborar, contribuir, para fazer parte de uma comunidade de ensino já foi superada, das menores às maiores instituições, isso já se tornou uma prática. Um novo olhar está sendo lançado a iniciativas colaborativas, como as licenças “Open source” e “Creative comuns”. Antes, tínhamos o pré-conceito de que tudo que era criado e construído colaborativamente sofria com a qualidade, não era confiável. Aprender com o outro, juntos, para os alunos sociais da Open University, no entanto, é a melhor maneira de aprender.
No Brasil, temos tentativas de repositórios de conteúdo e ao mesmo tempo o incentivo federal às comunidades de ensino, o Portal do Professor e o Portal do Aluno formam um marco na trajetória desse pensamento. Se o MEC entendeu que é preciso incentivar tal postura, é porque já não havia mais como ignora-la.
Dos setores mais tradicionais às nossas universidades vanguardistas, a comunidade escolar segue, ao seu ritmo, para o próximo passo, um ciclo acima do espiral, e catapulta, mais uma vez, o desejo de que a história da educação não precise ser cíclica, previsível, a noção de futuro (até que enfim) chegou até nós.
- Daiana Acordi: daiacordi@gmail.com
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