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A desconstrução da profissão e o foco em competências

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Já há algum tempo noto no mercado que a carreira profissional está cada vez mais confusa, sem linhas retas para o topo. Ao invés disso muitas pessoas de sucesso acumulam experiência em uma colcha de retalho de funções e cargos, que em um olhar inicial parece não ter sentido, mas que ao final possibilitam a este profissional construir um conjunto de habilidades e competências que o torna apto a atingir o cargo ou função que deseja.

Dessa observação acabei por me deparar com algumas leituras que indicavam que a dinâmica de como se desenha a carreira profissional estava indo para um lugar mais dinâmico e menos linear. É sobre isso que convido você a refletir nesse artigo.

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Não mais carreiras ou profissões, mas desafios e problemas

O que é necessário para resolver um problema em uma empresa?

Generalizando, um problema normalmente é resolvido por uma ou mais pessoas, com um conjunto de habilidades específicas, que dediquem tempo e esforço, eventualmente recursos financeiros, com esse fim.

Não há cargos envolvidos na solução de problemas, mas pessoas com suas habilidades aplicando recursos – tempo, esforço, dinheiro. Por isso, para nos preparar para o futuro, precisamos parar de pensar sobre profissões e carreiras para focar em desafios e problemas, e quais habilidades são necessárias para vencê-los. É o que defende este artigo da BBC.

Um sintoma já existente em muitas empresas é o de vários profissionais que experimentam uma diferença entre o cargo e o que de fato executam no seu dia a dia. Eu por exemplo: sou oficialmente gerente de projetos, lidero equipe, eventualmente desenho projetos educacionais devido experiência e estudo de 10 anos na área, lidero o desenvolvimento de um produto, faço revisão de trabalhos de design (minha formação original), escrevo para o blog, entre outras coisas.

Vejo isso acontecendo também com outras pessoas, que possuem competências que vão além do seu cargo, então são capazes de entregar valor em diferentes frentes, seja simultaneamente, seja em temporadas ou projetos diferentes.

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Portfólio de carreira e o acúmulo de competências

Um conceito que volta a ser discutido é o portfólio de carreira: você passar por uma série de posições para acumular experiência e competências que te tornem apto a assumir uma função mais elevada, com melhor visibilidade ou remuneração.

Mas quando falamos do futuro das profissões, e por isso o futuro das empresas, a dinâmica esperada é que não haja carreiras longas, ou mesmo cargos muito fixos, mas uma série de microjobs nas empresas em que existam projetos para solucionar problemas ou atingir determinadas metas, e as pessoas internas ou externas à empresa, com as competências adequadas, se juntem para executá-lo de maneira mais fluída e temporária, seguindo para a próxima oportunidade logo em seguida.

O ponto chave deixa de ser “qual o próximo degrau no organograma” mas quais são as competências que devo desenvolver para me tornar valioso nos projetos e empresas nos quais desejo trabalhar. Nesse cenário o nome do cargo cada vez carrega menos significado e importância – em alguns casos, nem sentido faz.

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A empresa como ambiente de geração de competências

Empresas como a gigante de tecnologia Cisco, ou a financeira MarterCard experimentam formatos de intra empreendedorismo que se assemelham a um freelancer  ou microjob interno. Pessoas dentro destas empresas escolhem projetos através de uma plataforma de mobilidade interna, baseando sua escolha em suas competências ou competências que desejam desenvolver. Isso possibilita que esses profissionais transitem por diferentes áreas da empresa.

A grande vantagem dessa estratégia é impedir que talentos saiam da empresa para conseguir ter novas experiências ou desenvolver novas habilidades.

Outra estratégia é tornar disponíveis conteúdos que possibilitem ao profissional se aprimorar e estar apto a assumir papéis diferentes no momento ou mesmo antes do surgimento de oportunidades, como por exemplo através de cursos de softskills, trilha de formação de novos líderes, cursos de introdução técnica a áreas diversas, etc, promovendo na sua empresa as bases para uma fluidez e dinamismo maior.

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O futuro (a partir de agora)

A dinâmica prevista, e já notada, de carreiras mais maleáveis e dinâmicas – rápidas mesmo, em que cada parada dura alguns meses – é uma clara consequência das possibilidades tecnológicas de comunicação instantânea e acesso massivo à informação.

Pessoalmente gosto e me empolga muito pensar em uma vida profissional mais dinâmica e que se estruture mais organicamente, mas existem sim desafios, alguns logísticos, mas principalmente comportamentais: nos identificamos pelo que fazemos: “sou gerente de vendas”, ou “sou analista de treinamento” e com os limites de cargos se desfazendo pessoas já demonstram uma leve crise de identidade. Nossa mentalidade sobre quem somos e como isso se relaciona com o que fazemos precisa mudar aos poucos: hoje por exemplo entrei em paz com a definição de que resolvo problemas de planejamento e gestão.

A expectativa é que essa mudança de forma de pensar carreira migre dos estúdios, startups e projetos piloto em algumas indústrias para ser a nova regra do mercado de trabalho. Como você vê que isso afeta a sua organização? Quais as consequências diretas para como pensamos treinamento e capacitação, hoje muito voltadas para cargos? Você já tem espaço para voltar seu foco de treinamento para competências em sua empresa? Comente abaixo e ficarei feliz em responder! Grande sucesso.

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Sobre o autor

Maicon Araujo

Gestor de projetos na Mobiliza, minha missão é tornar o trabalho e vida de quem tenho contato melhor. Tenho por visão que podemos encontrar real significado e prazer em solucionar problemas reais para as pessoas.

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  • Thiago rosa disse:

    Interessante artigo. Hoje me peguei pensando sobre isso. O profissional de hoje, precisa estar atento ao que a empresa precisa e atender essas expectativas, tenho feito assim que é tem dado certo. Vejo que quem não pensa assim, tem aquele pensamento engessado, acaba ficando para trás. As empresas não hoje não querem especialistas.

    • Maicon Araujo disse:

      Obrigado pelo comentário Thiago.

      De fato, o que você coloca é um sintoma importante para essa discussão da mudança de carreira!

  • Claudia disse:

    Eu acredito que este movimento extrai o.melhor de cada um, o que de fato este colaborador pode dar a empresa. É uma forma de ver cada um individualmente. Acredito que este movimento atraia e retenha mais! Assim como a educação de base precisa urgente despadronizar e ver cada criança como uma, nada mais natural do que as empresas também adorarem este estilo.

    • Maicon Araujo disse:

      Oi Claudia.
      De fato é um movimento para a personalização do trabalho considerando os potenciais do indivíduo.
      Outro fator interessante é que essa personalização funciona ao contrário: o profissional está se inserindo em nichos cada vez mais específicos de trabalho, por exemplo o profissional de “gestão de marketing para ensino à distância acadêmico”.

      Você também citou sobre educação, o que é uma ótima reflexão. O artigo da BBC que cito no início do texto também aborda que as crianças e jovens de hoje já precisam parar de pensar em profissões e carreiras estanques. Fica mesmo a dúvida de quanto tempo nossas escolas e universidades vão sair do modelo industrial para atender a nova (e essa futura) demanda. O que aumenta ainda mais o gap educacional que os profissionais têm ao buscar se inserirem no mercado, e com o qual as empresas têm que lidar quando falta mão de obra alinhada com suas necessidades.

      Abraço, grato pelo comentário.