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Conheça dicas de 3 profissionais sobre a carreira em treinamento e desenvolvimento

Você acha que o seu trabalho na área de treinamento e desenvolvimento recebe todo o reconhecimento que poderia? Aqui na Mobiliza, nós acompanhamos a realidade de muitos profissionais de T&D e já ouvimos sobre situações em que a área é tratada como uma “tiradora de pedidos”. Para falar para você sobre como tornar seu papel como analista mais estratégico e alavancar a carreira na área, fui conversar com algumas referências

A Vânia Granemann é coordenadora de desenvolvimento organizacional na Copacol (Cooperativa Agroindustrial Consolata). Ela atua há mais de 10 anos com treinamento e desenvolvimento, tendo começado a carreira no RH da BRF, onde se especializou em T&D. O Marcelo Lopes é analista de desenvolvimento da rede na MAN Latin America, uma função estratégica na rede de distribuição da empresa, que ele ocupa desde 2008. Já o Marcus Verri é national sales training manager na Bayer há 2 anos e meio. Ele trabalha com treinamento há mais de 14 anos, com passagens pela BD e pela Volkswagen.  

Os 3 são profissionais com muita experiência em treinamento e desenvolvimento, reconhecidos por atuar com uma visão estratégica da área. Eles também têm outra coisa em comum. Apesar de construírem trajetórias distintas, são exemplos de como é possível alavancar a carreira sem sair da área. Tenho certeza que eles vão poder te ajudar e mostrar que, para crescer na carreira, você não precisa deixar para trás a sua paixão por mobilizar pessoas!

A importância do intraempreendedorismo em T&D

Já faz quase uma década que você está ouvindo falar em indústria 4.0, para descrever os avanços tecnológicos constantes que estão transformando a realidade profissional. Marcelo Lopes defende que é preciso entender esse momento de mudança para que você possa agir de forma estratégica. Segundo ele, isso exige uma atitude intraempreendedora. “O analista precisa atuar como intraempreendedor. Precisa ser aquele que, internamente, procura desenvolver situações e novos projetos, pensando no desenvolvimento e capacitação do grupo”.

Você já deve ter ouvido falar, e mesmo sentido, as mudanças que a tecnologia causou no mercado de trabalho, certo?! E outras ainda estão por vir. É por conta delas que Marcelo defende que “consequentemente as profissões precisam se renovar”. Ele me deu um exemplo de situação que ainda podemos encontrar em algumas áreas de treinamento e desenvolvimento, e que ele considera o oposto da mentalidade que o profissional precisa ter. “Você tem uma sala e um escaninho na sala onde eles (os treinandos) colocam o celular. Numa indústria 4.0 não faz sentido tirar o celular. Usa o celular como recurso, ferramenta”.

Ao longo desses mais de 11 anos em que o Marcelo está cuidando de desenvolvimento profissional na MAN, tem uma característica que ele considera muito importante. Para ele, um profissional de T&D querendo demonstrar o valor da área e alavancar a carreira, precisa ser ousado. “A ousadia está ligada diretamente ao empreendedorismo, a área de T&D tem que propor situações. Estimular as pessoas a crescerem e se desenvolverem, estar envolvido com tecnologia, pensar em como os cursos são dados”.

Segundo o Marcelo, pensar na forma com que os cursos são dados passa por “pensar no presencial como um outro recurso, não como O recurso”. Quando você pensa na sua estratégia de treinamento e desenvolvimento, ela é toda baseada em um único formato? Porque os formatos deveriam mudar para atender às suas necessidades, e não a sua estratégia mudar para poder se enquadrar a um formato. Nas palavras dele, “você tem o online, tem webinar, e mesmo no presencial, tem que trabalhar como você vai compor. Não precisa ficar centrado na figura do instrutor lá na frente”.

A adaptação aos seus treinandos

O que você considera que são as bases para bons treinamentos? O Marcus Verri começou a atuar na área em 2005, e tem sempre construído estratégias de treinamento sobre 3 pilares:

  • A visão estética
  • A visão pedagógica
  • A visão de negócios

Ele explica que carregou uma preocupação estética da formação como publicitário quando começou a trajetória em treinamento, na Volkswagen. Isso influenciou a relação que a equipe de treinamento tinha com os visuais dos cursos. Você pode já ter passado por uma situação em que a aparência de um treinamento foi tratada como algo superficial, mas a verdade é que ela tem impacto direto sobre a experiência do treinando.

As visões pedagógicas e de negócios, o Marcus adquiriu com sua equipe. Hoje, na Bayer, ele mantém a preocupação em como desenhar treinamentos que atendam os princípios da andragogia. E se quiser saber mais sobre andragogia, o aprendizado dos adultos, é só acessar este nosso outro post.

Uma pergunta que o Marcus costuma se fazer, e que ele acha que você também deveria, é: “qual a rotina do meu público-alvo?”. Isso porque “ninguém está trabalhando para aprender. As pessoas estão ali para uma função específica que não tem a ver com aprender”. Considere que os colaboradores têm missões para cumprir, e o papel da área de treinamento e desenvolvimento é dar suporte, mas sem tirar o foco deles da missão. Ou na comparação do Marcus, “meu público-alvo está escalando e eu preciso ajudar ele a melhorar enquanto escala. Eu posso ser a ferramenta ou o peso na mochila”. Algo que certamente vai te ajudar com isso, é criar as personas do seu treinamento.

Exemplo prático dessa adaptação ao público é como a área dele pensa treinamento para a equipe de vendas da Bayer. Por conta da rotina corrida que cada um dos vendedores têm, de visitas aos profissionais de saúde, a equipe de T&D usa uma estratégia de “Trilhas entre visitas”. Uma série de conteúdos práticos, separados por temas, de curta duração, para serem consultados enquanto os vendedores aguardam nas salas de espera. Muito legal, né?!

O fator que o Marcus aponta como especialmente desafiador para pensar a carreira na área de treinamento e desenvolvimento é que muita gente não conhecia a área até começar a trabalhar nela. “O profissional acaba tendo dificuldade em se enxergar e entender como construir carreira nessa área”. Talvez esse seja o seu caso, ou de outros profissionais com quem você já trabalhou?! Mas o Marcus acha que, hoje, a área de treinamento passa por uma transformação. “Treinamento de vendas costumava ser uma área de estagnação, de alguém que teve um auge em outra área”. “Agora é uma área que tem muita interface com toda a empresa, abre muitas oportunidades”.

Integrando T&D às outras áreas do negócio

Com que frequência você pensa nos valores e na cultura da sua empresa quando está cuidando dos treinamentos? A Vânia Granemann está há mais de 10 anos focada em T&D. Ela acha que a 1ª coisa que o profissional da área precisa, para ser estratégico, é conhecer do negócio. “Conhecer profundamente o que a empresa faz, mergulhar no negócio, entender a cultura, entrar em uma fábrica, trabalhar um pouco lá dentro, se possível”.

Ela ainda enxerga muitas áreas de treinamento e desenvolvimento apenas respondendo aos pedidos de capacitação das outras áreas. Se você está há algum tempo trabalhando com T&D, já deve ter visto algo assim “o gestor liga dizendo que tem um problema e pede o treinamento x”. É aí que entra a importância daquele mergulho no negócio que a Vânia valoriza. “O certo seria chamar a área de T&D para pedir diagnóstico. Então a estratégia do profissional é conhecer o negócio para conversar de igual para igual com o gestor. Porque às vezes ele precisa de uma outra ação, um feedback mais estruturado, alocar pessoas de outra forma na área, não aquele treinamento x”.

Se você não se sente em condições de falar em pé de igualdade com os gestores das áreas, a Vânia realiza um exercício importante para isso. “Quando me ligam pedindo um treinamento eu vou para a área para tentar entender melhor”. “A área de treinamento e desenvolvimento tem que fazer um caminho inverso. Às vezes a gente ajuda mais mostrando outro problema do que fazendo treinamento”. Uma das funções de um bom levantamento de necessidades de treinamento, é te dar as informações que você precisa para poder argumentar com os gestores. 

No fim das contas, a Vânia acha que tem alguns pontos-chave para o profissional que, como você, quer crescer dentro da área de T&D:

  • Atualização nos estudos
  • Conhecimento do negócio
  • Postura profissional responsável
  • Atitude crítica

O 3º ponto, da postura responsável, é um dos mais delicados para ela. “A pessoa tem que estar muito atenta a questões de ética e confiança. Eu vou na área e ele (colaborador) vai abrir coisas importantes para mim, problemas. Mas se eu abro isso, trato de forma indiscreta, eu perco essa confiança. E a gente tem que gerar confiança com as áreas clientes”.

Dicas para quem trabalha com T&D

Para pensar no que você pode fazer pela sua carreira e pela área de treinamento e desenvolvimento da sua empresa, conversamos com profissionais de pontos de vistas diferentes na área de T&D. O Marcus, por exemplo, trabalha especificamente com o treinamento da força de vendas de uma companhia farmacêutica. Enquanto isso, o Marcelo lida com a capacitação da rede de distribuição da empresa e a Vânia tem experiência tanto no desenvolvimento de equipes de fábrica quanto em programas de liderança.

Entre as dicas que podemos listar de alguma dessas 3 conversas estão:

  • Adaptabilidade às mudanças do mercado
  • Preocupação com como os treinamentos se enquadram nas rotinas dos treinandos
  • Contato direto e constante com as áreas clientes
  • Ousadia para pensar em estratégias que instiguem os treinandos
  • Lembrar que tanto conteúdo quanto forma influenciam no sucesso
  • Conhecer profundamente o negócio da empresa para poder diagnosticar as necessidades das áreas

Apesar das diferenças entre os 3, um ponto que surgiu em todas as conversas foi o da inovação. O profissional intraempreendedor que o Marcelo defende, precisa de um perfil inovador. “Não espera a empresa dizer para buscar coisas novas, você tem que ir atrás”.  A Vânia falou de “olhar o que tem de novo no mercado, o que são as novas tendências”. Já o Marcus disse que é essencial para o profissional de treinamento a “capacidade de inovar e investir em governança”.

E aí o que você achou das opiniões? Se você que está mesmo determinado a tornar sua área de treinamento e desenvolvimento mais estratégica, já pode começar usando nossa calculadora de ROI, que vai te ajudar a contabilizar o retorno trazido pelos seus treinamentos.

Calculadora de ROI em T&D

 

Sobre o autor

Vinícius Bressan

Graduado em Jornalismo e produtor de conteúdo da Mobiliza. Acredita muito no potencial transformador da comunicação e da educação, é apaixonado por games e não tem certeza do que deveria colocar em uma assinatura de blog.

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